Dieta dos Carboidratos Essenciais

OBS: A dieta descrita abaixo foi sugerida pelo o autor, sendo de sua responsabilidade o seguimento da própria.
Justificativa do autor para seu uso:
            Dou início a este artigo com esta frase do Dr. Pasquale, médico canadense, formado também em Ciências Biológicas, com ênfase em Bioquímica Molecular e Genética, especializado em Nutrição e Medicina do Esporte e Mestre em Ciências do Fitness (MFS) pela Associação Internacional de Ciências do Esporte (ISSA). No primeiro contato que tive com seus trabalhos científicos, me identifiquei imediatamente, pois seus trabalhos foram como peças que faltavam de um quebra-cabeças.
           Cheguei então à conclusão de que o carboidrato em si não é um vilão. Nem a gordura. Na verdade, somos vilões de nós mesmos, somos responsáveis pela ingestão inadequada de nutrientes que, se torna mais grave ainda quando somos bombardeados por informações de cunho não científico divulgadas por alguns meios incautos de comunicação.
           E no final, bem no final, quando tomamos a importante decisão de emagrecer, não sabemos o que fazer. Cortar os carboidratos da dieta, ou cortar a gordura?
         Bom, enquanto estiver comigo, nenhum nem outro serão totalmente cortados. Serão ciclados alternadamente. Conforme a frase supracitada, na dieta monótona e estática é que mora o perigo! Perceba que você engorda por causa do hábito. Você está seguindo uma prática alimentar estática igual há meses, talvez há anos. Seus automatismos é que colocaram você nessa encrenca. Você come os mesmos tipos de alimentos há anos e de repente se mete em uma dieta radical, muda todos os seus hábitos e ainda não sabe por que não obteve êxito na dieta. Se vê frustrado ou frustrada e volta novamente ao ciclo de satisfação na mesa versus insatisfação no espelho e roupas.

A Minha Dieta

         O meu tratamento, se seguido à risca em casa e comparecendo regularmente aos nossos encontros, não só promoverá a perda de peso que você busca, mas também um novo jeito de olhar para os alimentos. O meu acompanhamento dietoterápico possui início, meio e fim. E essas fases, resumidamente, são:

Fase 1: Fase de Reprogramação Metabólica (manipulação da ingestão de carboidratos);
Fase 2: Fase de Reinserção Gradual de Carboidratos (achar o limiar ótimo de ingestão de carboidratos);
Fase 3: Fase de Manutenção do Emagrecimento (aqui é a parte que eu cito L ao Tse “Não procure dar o peixe. Ensine-o a pescar”).

         A chave para o sucesso é a manipulação meticulosa da ingestão de carboidratos da dieta, que começa com uma gramagem x para o seu peso atual e termina praticamente com a mesma gramagem que você estava ingerindo antes de começar a dieta. Acredite! Eu costumo dizer que emagrecer é fácil. Você não precisa nem pagar um nutricionista. Você pode tomar algum remédio ou comprar uma revista dessas de dieta e seguir o que eles mandam. É arriscado. Mas você emagrece. Mas e depois que emagrecer, você sabe o que fazer? Você sabe quais alimentos te engordaram em uma vida inteira?

Provavelmente não.
       Vou te dizer uma coisa, que o nosso prezado Dr. Robert Atkins está dizendo desde 1972: o que está nos engordando são os carboidratos! O Brasil é um exemplo disso. O que é barato no Brasil? Arroz, batata, pão. O que é mais barato, o quilo da linhaça ou o quilo do açúcar? O quilo da farinha ou da farinha integral? É por isso que temos uma geração de pessoas com sobrepeso porém, extremamente desnutridas. E é por isso que, os indices de epiodemiologia são claros ao notar que a população de baixa renda está ficando obesa.
         Atkins estava certo! A única diferença é que na época que ele começou a disseminar essa informações não haviam tantos estudos assim no meio científico comprovando os benefícios (seja estéticos ou hormonais) de dietas hipoglicídicas (baixas em carboidratos).
        O primeiro impacto que a minha dieta tem é em um hormônio conhecido como insulina. Os efeitos subseqüentes são praticamente conseqüências da diminuição de microdescarca insulinêmica. A insulina é secretada pelo pâncreas e funciona como um caminhãozinho de carga. Ela carrega a glicose do sangue e entrega na “porta” das células receptivas (GARRETT e KIRKENDALL, 2003). Entretanto a insulina também faz lipogênse (PASQUALE, 2006), que é o mesmo que síntese de tecido adiposo. Uma dieta baixa em carboidratos, naturalmente promove redução dos picos de insulina (LAYMAN et al, 2003), aumento da saciedade (HOLT, 1999), entre outros aspectos que podem ser observados apenas quando você começar uma.
Mas não precisamos de carboidratos?
            Eu acho, sinceramente, que o próprio racícionio lógico de quem entende o mínimo de nutrição e fisiologia já poderia ser o suficiente para se rever conceitos de dietoterapia e distribuição de VET (volume energético total = calorias totais).
            Já nos primeiros períodos acadêmicos (seja do curso de medicina, nutrição, educação física), quando você pega livros clássicos das áreas científicas acima citadas, como um Krause ou Guyton, que são verdadeiras bíblias, você aprende que existem nutrientes essenciais e nutrientes não essenciais.
             Nutrientes essenciais são aqueles que você precisa ingerir para que seu corpo os tenha presente internamente. São nutrientes que devem estar presentes na dieta pois seu corpo não sabe sintetizá-los de maneira autônoma. Nutrientes não-essenciais são aqueles que você ingerindo ou não seu corpo, indiferentemente, vai sintetizar.
            Para você que estuda na área da saúde a ficha já deve ter caído não é? Você já sabe aonde eu quero chegar!
            Pois bem, está comprovado que existem aminoácidos essenciais (aminoácidos são os menores componentes das proteínas – encontradas nos ovos, leite, carne, soja, etc). Esses aminoácidos, como a leucina, isoleucina, valina, dentre outros, devem ser balanceados na dieta e você deve ingeri-los.
            Dessa mesma forma, existem ácidos graxos (gorduras) essenciais. Ou você nunca ouviu falar do famoso ômega-3, ômega-6? Estes precisam ser ingeridos para que o corpo os tenha acesso. Por isso que hoje, através de dietas como a do “mediterrâneo” é moda a ingestão de peixes, azeite de oliva, amêndoas, etc.
             Entretanto, você nunca vai ouvir alguém falar em “carboidratos essenciais”. Simplesmente porque eles não existem! Você pode tentar argumentar comigo que o cérebro só usa glicose como substrato energético e que nosso corpo precisa de açúcar. E você está certo! Mas isso não significa que precisamos ingerir açúcar. O corpo tem suas maneiras hábeis de produzir açúcar, e, no campo do emagrecimento, o objetivo principal é esse: fazer o corpo atender a demanda da glicose através da conversão da gordura em glicose (através da formação de corpos cetônicos).

              Então posso ficar sem carboidrato para todo o sempre?
             Pode, mas não é necessário. Os esquimós fazem desse tipo de dieta a sua sobrevivência. Mas eles são eles. Nós somos nós. Por mais que tenham a mesma constituição anatomo-fisiológica que nós, vivemos em um outro contexto. Acho deletério também você consumir muita carne. Confio no equilíbrio e correta distribuição dos alimentos e nutrientes.
REFERÊNCIAS :

  • LAYMAN et al.A Reduced Ratio of Dietary Carbohydrate to Protein Improves Body Composition and Blood Lipid Profiles during Weight Loss in Adult Women. American Society for Nutrition Sciences. 2003.

  • HOLT. S.H.A. The effects of high-carbohydrate vs high-fat breakfasts on feelings of fullness and alertness, and subsequent food intake. International Journal of Food Sciences and Nutrition,v. 50, n. 1, p.13-28. 1999.

  • PASQUALE M.G.D. A Solução anabólica para fisiculturistas-Dieta metabólica definitiva. São Paulo. 2006. Editora Phorte.

  • GARRETT W. E; KIRKENDALL D. T. A ciência do exercício e dos esportes. São Paulo. 2003. Editora Artmed.
Autor: Ney Felipe Fernandes
Fonte: www.nutricaoavancada.com.br

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